quinta-feira, 12 de março de 2009
Os pais fundadores da Etnografia
OS PAIS FUNDADORES DA ETNOGRAFIA
Boas e Malinoswky
• Antes existiam observadores;
• A etnografia propriamente dita só começa a existir a partir do momento no qual se percebe que o pesquisador deve ele mesmo efetuar no campo sua própria pesquisa, e que esse trabalho de observação direta é parte integrante da pesquisa.
• Há uma revolução na Antropologia no início do século XX, pois põe fim á repartição das tarefas, até então habitualmente divididas entre observador (viajante, missionário, administrador) entregue ao papel subalterno de provedor das informações, e pesquisador erudito, que, tendo permanecido na metrópole, recebe, analisa e interpreta essas informações.
• Segundo Malinowski a antropologia se torna uma atividade ao ar livre, levada ao vivo em uma “natureza imensa, aberta e virgem”.
• Chamamos isso de trabalho de campo, mas não deve ser visto como um trabalho secundário e sim, como a própria fonte de pesquisa.
FRANZ BOAS (1858 – 1942)
• Boas era antes de tudo um homem de campo;
• No campo Boas ensina todo o que deve ser feito em um trabalho de campo: desde material constitutivos da casa até as notas das melodias e isso detalhadamente. Tudo deve ser objeto de descrição mais meticulosa, da retranscrição mais fiel.
• Boas fala que o próprio etnógrafo deve ter acesso a língua da cultura na qual se trabalha. As tradições não podem ser traduzidas e sim, descritas pelo observador.
• A contribuição de Franz Boas na Antropologia é considerável, principalmente pelo rigor da descrição da etnografia.
MALINOWSKI (1884 – 1942)
• Malinowski dominou incontestavelmente a cena antropológica, de 1922, ano de publicação de sua primeira obra, “Os Argonautas do Pacífico Ocidental”, até sua morte, em 1942.
• 1. Era radical – foi o primeiro a viver com a população que estudava e a recolher seus materiais de seus idiomas, radicalizou essa compreensão por dentro, e para isso procurou romper ao máximo os contatos com o mundo europeu.
• Ninguém antes dele tinha se esforçado em penetrar tanto, como ele fez, na mentalidade dos outros, e em compreender de dentro, por uma busca de despersonalização, o que sentem homens e mulheres que pertencem a uma cultura que não é nossa.
• 2. Com Malinowski a Antropologia se torna uma “ciência” da alteridade que vira as costas para o evolucionistas de reconstituição das origens da civilização, e se dedica aos estudos das lógicas particulares características de cada cultura.
• O que o leitor aprende a ler Os Argonautas é que os costumes dos Tobriandeses, tão diferente dos nossos tem uma significação e uma coerência;
• Hoje os antropólogos estão convencidos que as sociedades diferentes da nossa são sociedades humanas tanto quanto a nossa, que homens e mulheres que nelas vivem são adultos que se comportam diferentes de nós, e não primitivos, atrasados que pararam em uma época distantes e vivem presos a tradições estúpidas. Mas, nos anos 1920, isso era propriamente revolucionário.
• 3. Malinowski elabora uma teoria: o Funcionalismo. O indivíduo sente certo número de necessidades, e cada cultura tem precisamente como função a de satisfazer à sua maneira essas necessidades fundamentais. Cada uma realiza isso elaborando instituições (economias, políticas, leis, educação, saúde, etc) fornecendo respostas coletivas organizadas, que constituem cada uma o seu modo, soluções originais que permitem atende a essas necessidades.
• Malinowski no ensinou a olhar. Deu-nos o exemplo daquilo que devia ser uma pesquisa de campo, que não tem nada a ver com a atividade do “investigador” questionando “informadores”.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Muito bom mesmo parabéns!
ResponderExcluirSintetiza muito bem o capitulo 4 do livro " Aprender Antropologia" - François Laplantine
ResponderExcluir